frame do vídeo  lara ovídio | caminhe sobre a fronteira de uma cidade que não existe mais | vídeo 8’02”, cor, stereo | 16:9 | 2016

frame do vídeo
lara ovídio | caminhe sobre a fronteira de uma cidade que não existe mais | vídeo 8’02”, cor, stereo | 16:9 | 2016


caminhe sobre uma fronteira que não existe mais

Não existem registros das fronteiras de São Rafael Velha nem na prefeitura, nem no cartório, nem em nenhum outro lugar. Por isso, recorro ao meu pai, que viveu ali, e peço-lhe que me aponte por onde passava essa linha que se tornou obsoleta e cujos registros foram apagados.

[O que se pisa é aquilo que não é mais] 

[O gesto evoca e atualiza a marcação cartográfica que se tornara inútil]

A caminhada pode ser um ritual, uma evocação, uma costura, uma forma de resistência. Caminho sobre uma fronteira que não existe mais, logo, não caminho sobre fronteira alguma. No entanto, a fronteira também volta a existir cada vez que o meu pai aponta e diz: “aqui”. Vivencio esse instante em que a fronteira ressurge enquanto tal e o alargo através da caminhada. Com o desejo de respeitar a estreiteza do traço imaginário, alinho cuidadosamente meus pés descalços, um após o outro. O vídeo é composto por dois momentos que se sobrepõem e se entrecruzam: o nado sobre a fronteira que segue embaixo d’água e a caminhada.