#fluor

#2

No fim das contas ninguém sabe exatamente como escovar os dentes. Não há evidência que comprove que técnicas elaboradas sejam mais eficazes que uma escovada simples. A pesquisa da University College of London teria economizado boas horas de discussão com sua mãe, se houvesse sido publicada ainda em sua infância. Não deu essa sorte e teve que se submeter a um policiamento ostencivo, que vigiava não apenas frequencia da higiene bucal, mas sobretudo o modo de fazê-lo. Não só ao policiamento, mas também aos longos discursos enaltecendo o próprio policiamento. Hoje se deparou com a escova elétrica, escutou, como quem se interessa, um colega de trabalho falar um par de horas sobre o plano de adquirir uma. Uma bem barata custa R$38, uma bem cara R$500. Nunca entendeu bem se a escova elétrica servia para economizar trabalho, ou para massagear as gengivas. Resolveu não perguntar. Numa rápida busca sobre as razões para se ter uma escova elétrica encontrou um modelo que traz um temporizador capaz de indicar o tempo exato para escovar cada um dos quatro quadrantes da boca. Apesar de toda imprecisão na ciência do asseio bucal, as instruções para uma escovação perfeita não param de se multiplicar. Desistiu dessa investigação e retornou à primeira aba, num pequeno texto que se seguia ao da fragilidade das escovações, tentava responder se o fluor seria ou não usado para controlar mentes. De repente, toda a história do temporizador fez bastante sentido.