#eba

Sem título #1

Um
O que é possível fazer com oque não terminamos de entender?
Uma vez eu convidei uma amiga para um trabalho colaborativo partindo de um texto que não conseguissemos entender. Esse projeto nunca foi realizado.

 

Dois
É preciso estar a espreita, segundo Delleuze.

 

Três
Se esse trabalho fosse somente sobre Drawing Restrains, n.9. de Matthew Barney, eu não sei o que eu faria.

 

Quatro
Será que a chave para entender o desenho da figura oval cortada por uma barra é repeti-lo a exatustão? Talvez Barney estivesse nos sugerindo isso, mostrando-a tantas vezes repetida. Claro que eu fui procurar na internet se aquilo significava alguma coisa. Encontrei que era o simbolo de um corpo com restrições, seria como a forma própria do título: Drawing Restrains. Uma explicação que não me disse nada.

 

Um
Há pessoas sobre as quais posso afirmar que não entendo nada do que dizem, mesmo coisas simples como: “passe-me o sal”. Não consigo entender. (Delleuze)

 

Três
Se esse trabalho fosse somente sobre Drawing Restrains, n.9. de Matthew Barney, eu falaria sobre o tédio. Mas aí veio Delleuze e falou de amizade.

 

Quatro
Repetir
Repetir
Até ficar diferente

(Manoel de Barros)

 

Um
Eu queria construir uma frase insignificante, como essa mesma que construo agora.

 

Um
Um trabalho colaborativo precisa se dar entre duas pessoas? Ou eu posso colaborar com a obra de alguém? Pensei no que Delleuze disse, que o encontro entre pessoas é desastroso, que antes é preciso encontrar uma coisa.

 

Três
Se esse trabalho fosse somente sobre Drawing Restrains, n.9. de Matthew Barney, eu falaria sobre o tédio. Mas aí veio Delleuze e falou de amizade. Talvez eu fale sobre amizade também.

 

Quatro
Delleuze escolheu Resistência para o “R”, eu escolheria Repetição.

 

Cinco
A ilha do fundão foi construida artificialmente a partir da técnica aplicação de aterro. Outro quase entendimento.

 

Quatro
Repetir uma frase em silêncio.

 

Cinco
Minha prima Giovana perguntou sobre onde minha irmã estava, eu respondi que em Cuba. Expliquei-lhe que Cuba era uma ilha. Naquela tarde construimos uma ilha que durou tão pouco que sequer recebeu nome. Utilizamos uma bacia de aluminio, água do açude e um copo de geléia (desses que se usa pra tomar café).

 

Três
Se esse trabalho fosse somente sobre Drawing Restrains, n.9. de Matthew Barney, eu falaria sobre o tédio. Mas aí veio Delleuze e falou de amizade. 

Provocações

O mestrado está bem no comecinho, mas já tem sido um processo muito rico de provocações e criação. Tenho passeado livremente pelas revistas científicas, vídeos de youtube, entrevistas, mythbusters e John Cage! hahahaha

Compartilho os vídeos dessa tarde, que eu não tenho idéia de para onde vão me levar.

 

Uma matéria da Scientific American: 

http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/uma_cantora_de_opera_pode_quebrar_uma_taca_com_a_voz_.html

 

e um pouquinho de Cage, que sempre vale a pena. 

"Existem recursos intocados em crianças e adolescentes, aos quais não temos acesso porque os mandamos para a escola; e entre os militares que os perdemos por mandá-los para lugares ao redor do mundo, e sob sua superfície, para instalações ofensivas para testes de bomba; e entre os cidadãos mais velhos, a quem persuadimos de nos deixar em troca de banhos de sol, divertimento e jogos. Nós nos privamos sistematicamente de todas essas pessoas talvez por não desejarmos que elas nos atrapalhem enquanto fazemos o que quer que estejamos fazendo. Mas, se existe uma experiência que conduz mais do que a outra à receptividade, trata-se da experiência de ser atrapalhado por alguém, de ser interrompido por alguém" (John Cage, O Futuro da Música).

 

;)